26 de janeiro de 2019, por Oleg Abramov

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Já nos primeiros momentos após a tragédia de Brumadinho o quase presidente Mourão tratou de deixar claro: nosso governo não tem nada a ver com o incidente! Para um mandato que, em menos de um mês, está quase se afogando em escândalos é mais importante “tirar da reta” que cuidar das vítimas e tomar providencias para atenuar os efeitos da ruptura da barragem.

Não é forçação de barra dizer que o presidente Jair Bolsonaro tem a ver sim com o incidente, afinal ele apoiou o golpe que paralisou o País por mais de dois anos, apoiou o governo Temer e sua agenda nefasta e defende desregulamentações, desonerações, privatizações. Tudo o que leva a Brumadinho! Ele protege quem desmata e agride o meio ambiente e quer que o capital siga em caminho aberto, impune e sem limites para obter lucro. Qual foi a posição de Bolsonaro sobre os responsáveis de Mariana? A mesma de Temer, ou seja, o silêncio condescendente.

Não foram poucos os avisos: IBAMA, COPAM, dezenas de organizações ativistas,… todos alertavam para os riscos de uma “nova Mariana”. E o que fez o presidente e sua equipe? Propuseram flexibilizar leis, reduzir penalizações e anistiar infratores.

A semana em que Bolsonaro afirma em Davos que o Brasil é o País que mais respeita o meio ambiente no mundo é aquela na qual ocorre uma das maiores catástrofes ambientais e humanitárias da nossa história. O presidente que nos envergonhou com o discurso mais chinfrim da trajetória diplomática brasileira, disse que as multas por razões de preservação constituíam um excesso, uma distorção. As infelizes declarações do chefe do executivo são a marca da nossa atualidade, um tempo do triunfo da ignorância, retrocesso e violência institucional.

O caminho que nos levou até as tragédias de Mariana e Brumadinho começou a ser percorrido em 1997, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) colocou a Companhia Vale do Rio Doce em leilão. Logo ela, a maior empresa mineradora do Brasil, estatal de renome, eficiente e lucrativa. Até ser privatizada, a empresa não havia sido protagonista de nenhum incidente comparável a Mariana e Brumadinho. Venderam um dos principais patrimônios do Brasil a preço de banana e por moeda podre.

FHC justificava a privatização dizendo que as regras do poder público limitavam a expansão da empresa, uma vez que era inviável, mesmo lançando mão das mais absurdas manipulações dos dados contábeis, dizer que era deficitária ou que dava prejuízo. Portanto, foi para torna-la mais “competitiva” e “dinâmica” que a venderam. Os capitalistas, buscando o lucro, realmente tornaram a empresa mais dinâmica e competitiva, mas isso exclusivamente na geração de lucro para eles.

Os resultados da privatização estão aí: lavra predatória que empobrece nosso subsolo, vagões de escoamento congestionando as estradas de ferro para conduzir as riquezas não-renováveis para o exterior, empregos precários como o dos mais de 400 funcionário sem contrato de trabalho, depredação do meio ambiente. Só faltava matar nosso povo, não falta mais. Não bastasse Mariana, agora, a nova Vale, protagoniza uma tragédia de proporções ainda maiores: até este momento registram-se mais de 30 óbitos e centenas de desaparecidos. Preço pago para torna-la uma empresa mais “dinâmica” e “competitiva” da geração de lucro para os capitalistas que têm Bolsonaro como seu porta-voz.

Desde a derrota eleitoral do PSDB em 2002, o primeiro presidente eleito com base em uma plataforma pró-privatização foi Jair Messias. Não é exagero imaginar que com a politica deste presidente outros Brumadinhos virão.

Sobre o Autor

Oleg Abramov

Doutor e Mestre em Ciências Sociais pelo PPGCSO/UFJF. Formado em História (UFJF) com especializações em História do Brasil (CES/JF), História Econômica (FEA/UFJF), Planejamento e Gestão Social (UFJF) e Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde (UFF). Pesquisa sistemas de bem-estar e políticas públicas de recorte social. É militante do movimento popular e sindical e fez parte do movimento estudantil. Leciona, foi Superintendente de Redes de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde - MG e atualmente é Superintendente Regional de Saúde - SES/MG.

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