9 de agosto de 2018, por Oleg Abramov

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Mal o PT anunciou Fernando Haddad como vice de Lula, a imprensa já estampa em seu noticiário suposto envolvimento dele em um esquema de corrupção. Com mais essa, é um insulto à inteligência tentar fazer crer que não existe uma articulação monumental para impedir a vitória eleitoral do Partido dos Trabalhadores.

Quando o PT anunciou a confusa chapa de três, Lula, Haddad e Manuela D’Ávila, deu sinais claros de que, em um eventual impedimento de Lula, são os dois últimos que irão para a disputa. Esse arranjo esquisito  foi necessário por dois motivos. O primeiro decorre de mais uma arbitrariedade, outra do judiciário, que fez nova interpretação de uma lei que vigora desde 2014 determinando que, a partir de agora, é requerido que os partidos apresentarem os vices antes da inscrição das chapas no TSE. Com isso, Lula foi prejudicado em sua estratégia original de esticar ao máximo todos os prazos, a fim de encurtar os recursos judiciais e tentar assegurar sua permanência no pleito. Foi obrigado a antecipar o anúncio em quase duas semanas do vice, no caso, Haddad. Daí decorre o segundo problema, Lula quis que o PCdoB ficasse congelado até a decisão de seu destino, mas o PCdoB, com certa razão, ponderou que seria um sinal de subserviência absoluta e um desrespeito a Manu, retirar sua candidatura sem nenhuma justificativa aparente, posto que tudo ficaria limitado a um acordo de bastidor. Resultado, a coligação encabeçada pelo PT teve de recuar e anunciar a trinca.

Essa situação por si só é o anúncio de que se Lula for de fato impedido, Haddad é o candidato. Bastou isso, para que começassem as provocações. Em quatro dias, primeiro veio o impedimento de deixá-lo participar do debate de hoje na TV Bandeirantes e, nesta manhã, uma “reportagem” da Folha de São Paulo, sem que haja qualquer fato novo, “requenta” uma denúncia do Ministério Público que sugestivamente requer a suspensão dos direitos políticos do ex-prefeito. Um rosário de ultrajes: a acusação foi iniciada sem nenhuma prova concreta, sustentada apenas em delações; a denúncia ocorreu um ano e sete meses atrás e o último movimento jurídico ocorreu em 18 de julho, quando Haddad protocolou sua defesa. Então o que justifica uma matéria hoje, sem que tenha havido qualquer fato novo? Jornalismo? Isenção? Muito evidente o partidarismo dos mesmos veículos de comunicação que insistiram no anúncio do “plano B” de Lula. Queriam que fosse revelada a estratégia para que pudessem iniciar, despudoradamente, a sabotagem.

Daqui para frente isso se tornará rotina. Uma aterrorizante sucessão de ilações, denúncias, indícios, etc sempre pesando contra o campo progressista; contrastado com a complacência em relação aos malfeitos dos representantes do golpe. Um indício esclarecedor: Michel Temer sumiu do noticiário.

Por uma última vez, visto que já não há como rever o caminho escolhido, eu defendi que o PT trabalhasse com a perspectiva de fortalecer Ciro Gomes para que o campo progressista pudesse estar melhor posicionado, com dois candidatos viáveis. Em uma dessas, podem pegar o petista de jeito e se este for inviabilizado, ficaremos sem alternativa.

Vamos aguardar os próximos desdobramentos…

Sobre o Autor

Oleg Abramov

Doutor e Mestre em Ciências Sociais pelo PPGCSO/UFJF. Formado em História (UFJF) com especializações em História do Brasil (CES/JF), História Econômica (FEA/UFJF), Planejamento e Gestão Social (UFJF) e Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde (UFF). Pesquisa sistemas de bem-estar e políticas públicas de recorte social. É militante do movimento popular e sindical e fez parte do movimento estudantil. Leciona, foi Superintendente de Redes de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde - MG e atualmente é Superintendente Regional de Saúde - SES/MG.

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