4 de agosto de 2018, por Oleg Abramov

PT-PSB

O acordo entre o PT e o PSB está dando pano pra manga. O que é substantivo já está decidido, mas o conjunto de consequências ainda estão para serem conhecidas. Uma coisa é certa, para o bem ou para o mal, esse pacto abre uma nova etapa nos compromissos eleitorais do campo progressista. E é sobre as controvérsias que envolvem a parte estadual do acordo que quero tratar a seguir.

Do ponto de vista estadual, a motivação das duas partes é obvia, reforçar o PSB em Pernambuco, epicentro político do Partido Socialista, em troca da retirada da candidatura de Márcio Lacerda em Minas em benefício do PT. Além disso, abre uma perspectiva de conversas para a composição de outros palanques estaduais. Outro benefício para o PT é unificar o nordeste em torno de Lula e para o PSB de São Paulo liberta o governador Márcio França para dividir o palanque com Geraldo Alckmin.

Nestes termos, considero o desenho geral do acordo razoável.

A despeito dos inconvenientes para o PT em Pernambuco e para o PSB em Minas, em um cenário tão tumultuado não há justificativa para trocar o certo pelo duvidoso, no caso, o certo para um coincide com o duvidoso para o outro em cada realidade estadual.

E não se enganem, podem espernear, brigar, questionar, recorrer mas o compromisso está firmado. Além do peso da decisão nacional existe uma ala do PSB de Minas de acordo e uma outra petista em Pernambuco igualmente trabalhando para o sucesso da composição.

Os petistas pernambucanos mantiveram seu Encontro de tática eleitoral e decidiram contradizer a direção nacional mantendo a candidatura de Marília Arraes, vereadora apenas recentemente filiada ao PT. Do lado socialista, mesmo após a dissolução da Comissão Provisória em Minas ter sido confirmada pelo TSE, uma parte do PSB também ensaiou resistência e realizou sua convenção hoje, dia 04-08, para deliberar, em meio ao tumulto e bate-boca, a manutenção da candidatura de Marcio Lacerda.

Para os dois lados, é preciso reconhecer que na impossibilidade de ter tudo, é preciso fazer escolhas. No caso do PT, se a defesa das candidaturas Lula e Pimentel é pra valer, o acordo com o PSB é necessário. Os setores do partido que defendem a manutenção de Marília são, em grande parte, os mesmos que se opõem às alianças amplas. Não querem recuar em Pernambuco, não querem aliança com golpistas, e ao mesmo tempo dizem ao povo que a única saída para o golpe é eleger o PT,… Essa posição é esdruxula! As mais poderosas forças políticas se opõem ao PT, Lula está preso, o campo progressista sitiado pelo judiciário e ao mesmo tempo querem que o PT se isole dos poucos diálogos que consegue manter? Esta tática é completamente inconsequente. Ou assumem que estão dispostos a enfraquecer o partido na disputa nacional e a arriscar serem derrotados em Minas, o que significa reforçar os golpistas nos planos nacional e regional, e seguem exigindo a manutenção de Marília, em uma lógica de tudo ou nada, ou se admite que é necessário recuar em alguma coisa, para avançar com o que é prioritário, libertar o Brasil da agenda devastadora representada por Temer, Alckmin, Anastasia e outros. A posição de exigir tudo só favorece as forças do golpe.

O envolvimento de cada ala radicalizada na campanha do candidato estadual do outro partido será um problema de difícil solução. Porém, de toda forma, reduzir os contendores já é por si só benéfico.

Em Minas Gerais, neste momento, Pimentel tornou-se o grande favorito, uma vez que a eleição está em vias de se tornar um plebiscito, no qual o povo mineiro terá que escolher: “querem a volta dos tucanos”?

Dilma está no palanque mineiro para tornar viva a lembrança do golpe e o papel desempenhado por Anastasia como relator que “provou” as famigeradas pedaladas fiscais. Hoje é de conhecimento público que o “relatório Anastasia” não passou de engodo e os mineiros serão lembrados disso, assim como recordarão do “choque de gestão”, as obras faraônicas, a Lei 100, dentre outras. Sem esquecer dos laços de ternura que envolvem o candidato tucano ao seu padrinho Aécio Neves, que arregou para Dilma e não vai disputar sua cadeira no Senado. Além disso, os tucanos tem que lidar com Rodrigo Pacheco que tasca um pedacinho dos apoios do PSDB. Não é a toa que ter Márcio fora do jogo, implica para o tucanato tirar o DEM da disputa.

Para o PT de Minas Gerais o acordo com o PSB foi magistral. Para o PT nacional, ampliar a chance de seguir governando o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e um dos maiores PIBs da nação é amplamente vantajoso.

Tenho reservas apenas quanto ao desdobramento nacional do pacto, mas disso tratarei em outro momento.

 

Sobre o Autor

Oleg Abramov

Doutor e Mestre em Ciências Sociais pelo PPGCSO/UFJF. Formado em História (UFJF) com especializações em História do Brasil (CES/JF), História Econômica (FEA/UFJF), Planejamento e Gestão Social (UFJF) e Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde (UFF). Pesquisa sistemas de bem-estar e políticas públicas de recorte social. É militante do movimento popular e sindical e fez parte do movimento estudantil. Leciona, foi Superintendente de Redes de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde - MG e atualmente é Superintendente Regional de Saúde - SES/MG.

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