21 de junho de 2018, por Oleg Abramov

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A semana está sendo marcada pela “absolvição” da presidenta do PT Gleisi Hoffmann. A violação de sua honra, que não terá reparações, ocorreu como parte do conjunto de outros ataques contra dirigentes e militantes do PT no contexto da sanha incriminatória que pretende inviabilizar o partido e o que ele representa.

A perseguição judicial contra Gleisi é a mesma contra Lula e Pimentel. E o veredito desta semana, mesmo que aparentemente favorável ao PT, revela o quanto as decisões do judiciário estão sendo tomadas no compasso da política. A condenação de Lula e a que absolveu Gleisi fazem parte da mesma lógica.

Explico: da mesma maneira que o impeachment de Dilma precisava ser acompanhado pela prisão de Eduardo Cunha, da mesma maneira que o protelamento do processo contra Aécio Neves requeria a condenação de Eduardo Azeredo, a prisão de Lula precisava ser seguida pela absolvição da principal porta-voz do Partido dos Trabalhadores. O propósito é dar aparência de normalidade institucional, acredita-se que assim tiram o “discurso do PT”.

Ledo engano, o povo está entendendo tudo o que está acontecendo, fato demonstrado pelos resultados das pesquisas de intenção de voto. Mas mesmo assim, é importante insistir com a militância que ela reflita sempre nos termos do golpe. Dessa maneira, evitaremos que alimente alguma ilusão de que há inflexão nas posições do judiciário. É preciso seguir firme na batalha pela democracia. Qualquer mudança no rumo dos acontecimentos abertos pelo golpe se dará pela imposição de recuos, não como fruto de autocrítica, reconhecimento de erros ou amadurecimento institucional daqueles que violaram a democracia.

O objetivo do golpe permanece sendo manter Lula preso, inviabilizar as candidaturas do PT e abrir caminho para que os representantes dos interesses incrustrados no governo Temer tenham sucesso eleitoral, adquirindo legitimidade nas urnas. Isso vale tanto para a disputa nacional quanto para os estados.

Em resposta, o PT está correto em seguir firme na defesa da liberdade de Lula e na afirmação de sua candidatura. Independente das chances de se efetivar. Aceitar um plano B significa a derrota. Significa por duvidas quanto à inocência do nosso líder, retira a referência dos milhares que querem voltar a ter esperança e é destrutivo para o próprio partido.

Da mesma maneira que não há plano B para a disputa presidencial, o PT é Lula; não há plano B em Minas, nossa disposição é reeleger Fernando Pimentel.

Faço essa observação porque tenho visto um movimento, ainda muito difuso e incipiente, mas que precisa ser avaliado profundamente, a fim de não se tornar uma tendência, deletéria a meu ver. Neste momento em que os professores protestam, alguns têm suscitado o questionamento se não seria “mais fácil” escolher outro candidato que “não esteja apanhando tanto” quanto o Pimentel. Em um partido com tantos quadros excepcionais, não faltariam nomes para representa-lo muito bem. Mas é preciso refletir sobre todas as dimensões dessa proposta, sintetizada na resposta à indagação: por que não pode haver plano B na eleição para o governo de Minas?

Em primeiro lugar, porque seria um recuo que só resultaria em enfraquecimento, não para o PT, mas para todo o campo democrático-popular. A rejeição que reputam a Pimentel não é pessoal, mas incide sobre o que ele representa: a promoção de direitos, a priorização do mais necessitado, o diálogo com os movimentos, o respeito à organização de classe, a defesa dos interesses dos trabalhadores, a resistência ao golpe e à agenda nefasta de Temer… Em síntese, tudo aquilo que é identificado pela estrela do PT. Portanto, afirmar que o problema está em Pimentel é, no mínimo, miopia política; é a incapacidade de compreender o significa o golpe. Aqueles que afirmam que as dificuldades, por exemplo, de manter os pagamentos em dia decorrem de deficiência na gestão, também não compreendem que nosso problema em Minas não é de natureza administrativa, mas de natureza política. Se a incompetência for algo que se adquire com a experiência, poderia se admitir que o prefeito mais bem avaliado do Brasil se tornou o pior governador do País. Caso contrário, é óbvio que o problema do governo não é má administração. Mesmo porque, com todas as condições desfavoráveis, o Estado não parou e ainda foram alcançadas importantes conquistas, especialmente nas áreas de segurança pública e educação. Os problemas de gestão decorrem do cerco que fizeram contra o governador, da sabotagem e da asfixia financeira. Ilustrei no meu artigo anterior[1], um exemplo concreto das dificuldades cotidianas que aparentam ser de ordem administrativa, mas que são, na verdade, essencialmente políticas.

O problema que vivemos em Minas resulta do mesmo movimento geral que derrubou Dilma da presidência e que levou ao encarceramento de Lula: o golpe! Por isso, não existe rota fácil para o PT neste momento. Não há atalho, o único caminho é resistir e insistir.

E até aqui Pimentel tem se saído muito bem, a despeito das adversidades. A aposta de Temer e do PSDB era de que o colapso nos serviços públicos essenciais não aconteceria sob o governo do MDB, mas em terras governadas pelo PT, o que não ocorreu. Minas Gerais não parou, não há intervenção militar por aqui, os hospitais estão abertos e as ambulâncias rodando, e é em função desse fato que o cerco aumenta seu vigor. É por isso que os golpistas estão tendo que se revelar cada dia um pouco mais, tornando explícita sua disposição de resolver a sucessão mineira no “tapetão”.

Manter a resistência e reeleger Pimentel são as resposta que o PT, os partidos aliados e os movimentos sindical e popular, devem dar ao golpe. Este é o único plano para Minas Gerais.

[1] http://www.pautando.com.br/2018/06/19/as-condicoes-de-governar-minas-gerais/

Sobre o Autor

Oleg Abramov

Doutor e Mestre em Ciências Sociais pelo PPGCSO/UFJF. Formado em História (UFJF) com especializações em História do Brasil (CES/JF), História Econômica (FEA/UFJF), Planejamento e Gestão Social (UFJF) e Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde (UFF). Pesquisa sistemas de bem-estar e políticas públicas de recorte social. É militante do movimento popular e sindical e fez parte do movimento estudantil. Leciona, foi Superintendente de Redes de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde - MG e atualmente é Superintendente Regional de Saúde - SES/MG.

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