7 de junho de 2018, por Oleg Abramov

LEILÃO-DO-TEMER (1)

O Brasil deveria estar de luto, hoje Temer entregou mais três áreas de exploração do Pré-Sal. Por míseros R$ 3,15 bilhões, passou às mãos de transnacionais o que deveria ser o nosso passaporte para o futuro.

Recordando o caminho que percorremos até este momento, de crise dos combustíveis e de venda do nosso petróleo, compreenderemos a lógica que costura os fatos.

A Petrobrás, com tecnologia nacional, descobriu o Pré-Sal em 2006 em uma profundidade que nenhuma outra empresa do mundo era capaz de alcançar. Na época, o governo Lula fez aprovar uma regra de que a empresa participaria de toda a exploração. Sob sua liderança, a riqueza era administrada em favor dos interesses nacionais. Com uma produção pujante, entre 25 a 40 mil barris por dia, se consolidou como uma das mais importantes petrolíferas do planeta. E o povão comprava carro e abastecia fartamente.

Daí veio a Lava-Jato, as delações, as acusações sem provas e o golpe.

Com a empresa desmoralizada, o governo ilegítimo alterou as regras de concessão e iniciou o processo de privatização dos campos de exploração do Pré-Sal. Ao lado, passou a administrar a empresa em favor dos interesses dos “investidores”, não da maioria da população. Foi esse o percurso que nos trouxe até aqui, com a gasolina sendo vendida a R$ 5 o litro e ao movimento dos caminhoneiros.

Mais memória: vamos lembrar que o povo, nas urnas, em 2014, escolheu utilizar os dividendos do Pré-Sal na educação e na saúde. Este foi o conteúdo do voto Dilma. A candidata defendeu explicitamente na campanha eleitoral o regime de partilha e a garantia de que aquilo que foi decidido pelo Congresso Nacional, de dedicar 75% dos recursos dos campos de exploração para a educação e 25% para a saúde, seria cumprido.

Direcionar 25% para a saúde, objetivava criar uma nova fonte de investimentos para o SUS, significava mais atenção primária, mais farmácia popular, mais médicos, mais SAMU 192 e, a partir de 2015, o compromisso era implantar os Centros de Especialidades Médicas que jamais vieram à luz, abortados pelo golpe.

Há uma substância lógica em conectar o petróleo à educação: o primeiro é um recurso finito, e que será em algum momento, queiramos que o mais breve possível, substituído por outra fonte de energia menos poluente. Sendo assim, é racional que o retorno financeiro deste recurso finito seja investido em sua maior parte na inteligência nacional. Com a educação vem a ciência, a tecnologia e o passaporte para um futuro mais desenvolvido.

E o povo queria exatamente isso! Por este motivo, a maioria não votou no Aécio Neves, este sim favorável à privatização do petróleo; votou em Dilma para que o ouro negro financiasse a saúde e a educação.

Portanto, o que ocorreu hoje foi mais uma expressão das motivações profundas do impeachment e da vaga democrática que fomos lançados. Máxima expressão que este governo ilegítimo administra as riquezas, que não são dele, de costas para a vontade popular. Somando o teto dos gastos com a privatização do petróleo, para não abordar nenhuma outra mazela perpetrada recentemente, estão sepultando a esperança no futuro desse País.

Em troca de míseros R$ 3,15 bilhões, a luz que brilhava no final do túnel do nosso atraso ficou ainda mais opaca.

 

Sobre o Autor

Oleg Abramov

Doutor e Mestre em Ciências Sociais pelo PPGCSO/UFJF. Formado em História (UFJF) com especializações em História do Brasil (CES/JF), História Econômica (FEA/UFJF), Planejamento e Gestão Social (UFJF) e Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde (UFF). Pesquisa sistemas de bem-estar e políticas públicas de recorte social. É militante do movimento popular e sindical e fez parte do movimento estudantil. Leciona, foi Superintendente de Redes de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde - MG e atualmente é Superintendente Regional de Saúde - SES/MG.

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