12 de março de 2015, por Áurius Gonçalves

Relógio

Quando analisamos a frase, “a História é o estudo da sociedade humana no tempo” percebemos logo de imediato que tal análise não será fácil de ser feita, por inúmeros motivos.

Primeiro, devemos abandonar um conceito antigo de que conhecer a História nos dá a possibilidade de intervir no futuro. Essa forma superficial e pouco proveitosa – principalmente quando se trata de Ciências Humanas – não nos ajuda a pensar mais profundamente no que diz respeito ao estudo das sociedades de um modo geral; muito pelo contrário, ela nos aproxima mais de um método de interpretação temporal das ações do homem no espaço do que propriamente uma tentativa de entender a dinâmica e a relação desse mesmo homem no tempo vivido.

Segundo, como o próprio Jacques Le Goff escreve no prefácio da obra de Marc Bloch,[1] o trabalho histórico não deve ser encarado como algo que se presta simplesmente para “servir a ação”, como queriam os positivistas (2001, p. 20), mas de possibilitar ao homem buscar um conhecimento humano científico e seguro, capaz de colocá-lo num posicionamento mais crítico diante da própria vida. Isso faz toda a diferença quando pensamos que tal posicionamento pode – e deve – interferir no universo que o cerca, mas para isso o historiador necessita ter o que o autor chame de “inteligibilidade” e que seja capaz de “ler” seu tempo e relacionar os fenômenos que emergem num determinado contexto histórico.

Outro fator interessante é que constantemente acreditamos estarem no passado as respostas aos nossos problemas atuais. Olhar para o passado com os “olhos” de “nossa época” é certamente cometer um anacronismo, pois nossa realidade é diferente da realidade vivida em outros tempos. Mudamos com o tempo, e não no tempo, e isso é extremamente importante para compreender nossa época. Por outro lado, não podemos condenar o passado como se ele fosse um “momento” ultrapassado e sem sentido para nós; seria confortável assumirmos a posição de meros espectadores que, sem nenhum compromisso – e até com certo cinismo com a realidade – apontamos as falhas e os defeitos de determinada época.

Percebemos então que não há um hiato, lacuna ou separação entre os tempos, mas que existem tempos, que somados, contam nossa história e que sempre poderemos recordar de como fomos um dia, de como era nossa cultura, nossos gostos e nossas preferências. Cabe a nós, repensarmos nosso momento histórico e tentar reaprender a ver o mundo admitindo sim as experiências do passado, mas estando atentos para a realidade temporal vivida atualmente.

[1] Cf  BLOCH, Marc. A Apologia da História, ou o Ofício de historiador. Rio de Janeiro; Jorge Zahar; Edição, 2001.

Sobre o Autor

Áurius Gonçalves

É graduado e licenciado em Filosofia pelo Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Juiz de Fora, pós-graduado em Filosofia, Cultura e Sociedade também pela UFJF. Atualmente é bolsista de Treinamento Profissional no projeto Pibid-Filosofia da UFJF, bem como, militante do Partido dos Trabalhadores.

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