29 de janeiro de 2015, por Robson Luiz Marques da Silva

luta sindicall

Companheiros e Companheiras, como dirigente sindical, há algum tempo me preocupo sobre qual a melhor forma de enfrentarmos o capital num momento tão crítico quanto o atual. Vivemos numa sociedade onde impera o Capitalismo Monopolista, a face cruel deste sistema. Os grandes capitalistas crescem, se aglomerando e engolindo a tudo e a todos. A cada dia concentram mais riquezas, permitindo que o trabalhador sobreviva com uma fração cada vez menor da riqueza socialmente produzida. Para resistir a esse processo, os trabalhadores precisam estar mais unidos, mobilizados, conscientes, atuando fortemente na luta de classes. Mas infelizmente, não é isso que vejo.

A situação da classe trabalhadora não é muito diferente daquela observada nos séculos passados. Ela continua sobrevivendo da venda sua força de trabalho pelo mínimo necessário a sua subsistência. Tal como no passado, muitos trabalhadores se matam de trabalhar por uma ninharia, as vezes em condições humilhantes e de semi-escravidão. No entanto, diferentemente de outros momentos históricos, atualmente convivemos com o “incomodo” fantasma da desconfiança e descrédito nas instituições.

Não obstante aos possíveis equívocos na condução das lutas de classes assumidos pelos sindicatos, que devem ser compreendidos como parte de um processo histórico, é difícil imaginar uma mudança nas relações de trabalho na sociedade atual que não passe necessariamente pela luta sindical. E aí, como mobilizar ou conscientizar o trabalhador de seu estado precário se ele mesmo não acredita na necessidade de mudança ou na importância da luta?

Queria ter uma resposta para esta e outras indagações, porém não as tenho. Resta-me dividir com vocês este fardo da ausência. É duro aceitar essa concorrência cada vez mais desumana, vendo a classe trabalhadora viver no limbo do desemprego, da informalidade, em condições sub-humanas, onde muitos sequer tem a oportunidade de se colocar no mercado de trabalho. Reconheço que diante de tanta falta de respeito é até complicado esperar que se forme entre essas pessoas um vínculo de solidariedade corporativo ou sindical, pois para muitos a luta é apenas pela sobrevivência. Cabe então ao sindicato a importante missão de nortear essa luta, mostrando que a opressão é fruto da exploração capitalista e sem resistência é impossível sair desse estado de miséria.

O grande desafio do dirigente sindical é ser mais que uma mera liderança popular, precisamos disseminar entre os trabalhadores o desejo de lutar, mudar e resistir. Temos que construir sindicatos que sejam realmente  instrumentos que atuem contra os interesses do capital monopolista. Uma tarefa difícil, ainda mais na medida que a cada dia se discute menos a nossa triste realidade.

Corajosamente afirmo que não vejo mais aquele vigor dos movimentos de massa de antigamente. Percebo muitas pessoas perdidas em suas ambições individuais. Sem querer desprezar nossos movimentos, muito pelo contrário, hoje se mobiliza a massa por qualquer coisa, menos por ampliação e melhorias da sociedade.

Talvez seja o momento de resgatarmos nossos grandes pensadores, como Marx, Engels, Gramsci entre outros, pois a ausência de uma consciência crítica nos impede de alçar qualquer vôo mais ousado. Mas, mais do que   formação, o que realmente me preocupa é a falta de atitude de nossa parte.

O povo não quer mais saber de liderança que passa o tempo nas mesas, escritórios e encontros, tecendo teorias e sonhos de mudança sem que isso se materialize num compromisso efetivo de mudança. Para o sindicalismo reconstruir sua legitimidade junto a classe trabalhadora é necessário assumir sem tréguas o compromisso com a luta coletiva, trabalhando para em prol da  categoria. As discussões sobre gênero, raça e credos são importantes, mas não podemos perder de vista que a nossa luta é contra o capital. Na verdade, estas questões são manifestações sociais da exploração capitalista e cabe nós ser o vetor de uma real transformação, onde a classe trabalhadora ocupe o merecido lugar na sociedade e na história.

Como diria nosso caríssimo líder, Sr. Ivan: “É chegada a hora!” Precisamos virar a mesa, partir para as ruas em busca da população que tanto carece de representação sindical, política e de militância. Precisamos ter mimetismo para dialogar e mobilizar a sociedade em busca da igualdade.

Ouso falar que mais do que lideranças, precisamos dos chamados “Pés de Boi”. Isso mesmo, precisamos daqueles militantes que não tem hora ou lugar, faça chuva ou faça sol, ele ou ela está lá para dialogar, convencer, empunhar uma bandeira física ou não, porém sempre fazendo a luta e construindo a história que desejamos.

Para representar a classe trabalhadora nos dias atuais é preciso mostrar que há sim esperança e que esta esperança é a mãe da luta cotidiana.  Avancemos na defesa desta gente sofrida, num mundo onde poucos são capazes de resistir ao canto sedutor do capitalismo, do sistema financeiro e da boa vida. Este desafio imenso é feito para poucos e bravos guerreiros. Estamos nos aproximando de novas eleições, o tempo urge, 2016 bate á nossa porta. Arregacemos as mangas, afinemos as vozes, calçamos os sapatos da humildade façamos nós a revolução.

Esperar não é o melhor caminho. Trabalhadores do mundo todo, uni-vos.

Sobre o Autor

Robson Luiz Marques da Silva

Atualmente ocupa o cargo de presidente do segundo maior Sindicato dos Bancários de Minas Gerais sendo reeleito com quase 98% dos votos. Tem 35 anos de idade e é bancário desde 2001 e dirigente sindical desde 2007. É membro da executiva municipal do Partido dos Trabalhadores, além de atuar em vários movimentos populares.

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