22 de janeiro de 2015, por Nilson Lattari

15-01-23   Nilson_Transporte público

Em toda negociação entre partes existem três possibilidades de acontecer alguma coisa: ser bom para todos, ser bom para alguns ou ser ruim para todo mundo. A negociação onde todos ganham é a ideal, desde que tudo seja feito com transparência, as partes desejem o negócio e haja fundos ou os meios solicitados à disposição.

Se ela é boa para alguns e ruim para outros, dá-se onde uma parte é mais poderosa, econômica e politicamente, tem meios de pressão, ou então a parte desfavorecida está despreparada ou orientada para levar a negociação à frente. O último caso seria irrelevante, porque um negócio que é ruim para todos não tem sentido.

Podemos dizer que não existe negócio ruim, só o fato de realizá-lo é motivo de distrato. Mas, em uma reflexão, podemos dizer que um negócio que é ruim e continua funcionando, com certeza, tem alguém ganhando. Daí, caímos no segundo exemplo.

O transporte público é fruto de reclamação em todo Brasil, de uma maneira geral. Principalmente da parte do usuário, que reclama pagar por um serviço que considera inaceitável.

Diferentemente da empresa que negocia com concorrência, ele não disputa um Market share, os ônibus não circulam pela cidade na busca do passageiro, da mesma forma que o táxi. Na verdade, o passageiro é que procura o coletivo para o seu transporte.

Assim sendo, a figura – transporte público – é uma empresa de negócios diferente. Ela se completa com o Poder público.

Cada empresa diferentemente tem seus custos operacionais individualizados, tanto na parte burocrática, contábil e operacional, propriamente dita, assim como políticas de governança. Há como equacionar?

O transporte público é um serviço essencial para a população. Não é a Coca-cola, não é o picolé e nem a roupa da moda. Assim sendo, a participação de todos é importante para que o negócio funcione – o bom para todos.

Em Juiz de Fora, com uma topologia difícil, e com linhas que são bem ou mais prejudicadas é importante a distribuição dos custos e benefícios. O Poder público, porque, no caso, existe para ele, deve funcionar como o regulador e fomentador em última instância. Deve ser parceiro no negócio.

Olhando a principal via da cidade – Av. Rio Branco, a impressão que se tem é que a quantidade de ônibus não comporta, os veículos se amontoam, enquanto o público às vezes não sabe a posição em que ele vai parar.

Hipoteticamente, poderíamos imaginar que uma empresa constituída pelo Poder público (40%), e os proprietários das concessões (60%), sendo estes percentuais divididos equanimemente, conforme sua participação, transformaria a Av. Rio Branco e a Av. Brasil em um corredor único de ônibus articulados, com subestações que tivessem ônibus levando aos bairros periféricos. Teríamos um balanço único, auditado por empresa independente, com o descarte de ônibus antigos revertendo como capitais para investimentos, e o Poder público teria a Golden Share, ou seja, a ação de ouro que lhe permitiria intervir e harmonizar pendências.

A questão é querer que uma união de esforços dessas seja boa para todos e ruim para ninguém. Se há reclamações da parte do usuário, e do concessionário da linha, e para o Poder público nenhuma vantagem, é um negócio ruim. Então não faz sentido que ele exista com esse modelo vigente.

É preciso refletir para que não seja ruim para ninguém.

Sobre o Autor

Nilson Lattari

Graduado em Literatura pela UERJ e Especialização em Estudos Literários pela UFJF. É gestor do site www.nilsonlattari.com.br e facebook/blogdonilsonlattari, sobre contos, crônicas, poesias e artigos.

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