15 de janeiro de 2015, por Olívia Ghetti Gomes

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Tive o prazer e a oportunidade de comparecer à cerimônia de posse da nossa presidenta Dilma Rousseff. Embora tenha sido uma viagem cansativa, com tudo resolvido em cima da hora, valeu cada minuto! Vou agora relatar a todos o que vivi e presenciei neste ato solene.

Saímos eu e mais quatro companheiros no dia 31/12 no meio da tarde à caminho de Brasília. A viagem era longa, mas conseguimos um ônibus com poucas pessoas, o que facilitou nosso conforto. Andávamos, andávamos, andávamos e quando íamos ver, ainda estávamos em Minas. Esta foi a primeira lição valiosa da viagem: Minas é muito maior do que imagina e devemos dar muito valor ao nosso estado. Depois de passarmos por mais de uma década esquecidos no âmbito nacional, renegados e desmerecidos, devido aos anos de “desgoverno” pelos quais passamos, teremos agora a oportunidade de retomarmos as atenções dos brasileiros. Minas é, sem dúvida, um estado muito importante não apenas para a região sudeste como para todo o país!

Pois bem, após 8 horas de viagem, chegou a tão esperada meia-noite de Reveillon e nós, que ali estávamos, acordamos e nos cumprimentamos com votos de saúde, felicidade e alegrias para nossas famílias, nosso povo e nossa governante Dilma.

Finalmente, por volta das 07:30h do adia 01/01/2015 chegamos a Brasília, na “nova rodoviária” que foi construída para a Copa. Outra surpresa positiva, pois se trata de um local muito limpo, organizado e com um design e arquitetura muito interessantes, acompanhando a característica da capital federal.

Seguimos para o hotel e, ao chegarmos lá, nos deparamos com uma família (pai, mãe e filha) que eram da Bahia e que estavam lá também para prestigiar nossa presidenta. Conversamos, trocamos telefones, tiramos uma foto para registrar este momento em que a militância se encontra e depois seguimos para nossos quartos.

Por volta das 14:20h seguimos a pé rumo à Catedral de Brasília, de onde Dilma seguiria em seu carro aberto seguida pela “Marcha da Esperança” formada por militantes de diversos locais do Brasil – alguns até de outros países. No caminho, muita euforia, carros que nos avistavam de vermelho e com nossa bandeira, buzinavam, acenavam, faziam a maior festa! Vendedores de água pelo caminho também nos cumprimentavam e festejavam a data.

Chegamos à Catedral que, por sinal, é lindíssima! Já ali percebemos o que continuamos a presenciar por todo o percurso: havia muitas pessoas, muitos militantes – especialmente de vermelho e com bandeiras -, mas estes se espalhavam ao longo do caminho da marcha, principalmente na esplanada dos Ministérios, próximo ao Congresso Nacional e, posteriormente, vimos também um grande grupo acampado em frente ao Palácio do Planalto.

No meio de tanta gente, de tanta euforia e de fotos – claro, tivemos que registrar tudo o que podíamos -, encontramos um grupo de mulheres que vieram do Pará. Sim, nós estávamos cansados por conta de 16 horas de viagem e estas mulheres guerreiras haviam enfrentado 38 horas de viagem para ver a posse! Neste momento tive mais convicção ainda de que eu havia tomado a decisão certa ao deixar minha família, meu marido em Juiz de Fora para participar deste momento histórico de nosso país!

Também tiramos fotos, conversamos um pouco e nisso vieram outros grupos de vários lugares: baianos, outros mineiros (do sul de Minas), pessoas do interior de São Paulo… Todos chegavam, conversavam, diziam de onde eram, tiravam fotos… Enfim, era um clima tão bom, tão pacífico, tão amoroso! Éramos todos desconhecidos mas com um ideal em comum que une talvez mais do que laços de sangue.

De repente, começa a chegar um mutirão de policiais e a guarda da presidência. Sim, Dilma estava chegando para iniciar a marcha em carro aberto. Nos aglomeramos com outros militantes que lá estavam, coloquei minha câmera a postos e, quando vejo, ela vem vindo em um veículo fechado, mas com as janelas abertas. Ela nos viu, acenou sorridente e linda com seu vestido que parecia nude e meio bronze, ao mesmo tempo. Consegui registrar seu aceno! A foto ficou um pouco longe, mas fiquei toda orgulhosa por conseguir este feito e muito feliz por vê-la e receber seu cumprimento.

A partir daí, começou a agitação. Todos queríamos ver o início da marcha e acompanhar nossa representante ao longo do caminho. Andamos bastante enquanto  Dilminha (a chamo assim por carinho e afeto e não por desrespeito) seguia linda e poderosa ao lado da filha Paula pela Esplanada dos Ministérios, acompanhada pelo povo!

Depois de muito andar, chegamos próximo ao Ministério da Justiça, onde havia um grande aglomerado de pessoas, uma barraquinha Coração Valente onde diversos militantes se encontravam, estampavam camisas, escreviam faixas, aproveitavam uma sombra – sim, o sol estava fortíssimo e o calor, típico de Brasília – e ainda tomavam uma água bem geladinha, fornecida pela organização do evento. Embora eu tenha lido uma manchete, não lembro de onde, dizendo que militantes enfrentaram forte calor e falta d’água para ver a posse de Dilma, apenas a primeira afirmação é correta. Fazia muitíssimo calor, mas não faltou água potável gelada para ninguém (já se fosse em São Paulo, a coisa seria bem diferente…).

Neste local, que estava bem cheio de gente, avistamos um grupo bem diversificado, como é característica da militância petista: mulheres, homens, jovens, idosos, famílias inteiras unidas, alguns ciganos e muitas crianças.  O que me deixou muito feliz foi perceber que ali era, realmente, um espaço receptivo para todos e todas e tão pacífico e alegre que muitas famílias levaram seus filhos para participarem. Achei isso extraordinário, pois se trata de uma oportunidade de mostrarmos às crianças o quão importante é participarmos ativamente da política de nosso país! Quando elas veem que, apesar de toda a formalidade do evento, também há alegria e descontração e que tantas pessoas completamente diferentes estão ali com o mesmo objetivo, elas podem perceber como nosso país é diversificado, lindo e especial e que zelar para o seu bem é primordial. Crianças e jovens participativos e cujos pais são atuantes tem tudo para se tornarem grande e exemplares cidadãos!

Vimos uma fila se formando: era para termos acesso à área cercada em frente ao Congresso Nacional, onde Dilma passaria no carro aberto após a cerimônia de posse e seguiria para o Palácio do Planalto. Seguimos para lá. Mais uma vez, encontramos militantes alegres, descontraídos e engajados de vários estados do país, mas chamo a atenção para a quantidade de baianos que lá estavam. De todos que conhecemos, uma parte considerável era da Bahia. Tive a certeza ali de que os baianos estão muito felizes com o governo do PT, principalmente porque tiveram 8 anos de gestão petista no estado. A Bahia que sempre foi um estado considerado pobre, com miséria e fome, estava lindamente representada ali na capital federal!

Conversa vai, conversa vem, Dilma surge e começam os tiros de canhão em frente ao Congresso. Neste momento, devo dizer que não foi apenas Henrique Eduardo Alves quem levou susto não. Grande parte das pessoas que estavam ali também se assustaram. Este momento, para mim, foi extremamente simbólico. Dilma que no passado foi perseguida, torturada e presa pelos militares agora era recebida, respeitada e “festejada” pelos mesmos!

Voltando ao foco, passada a participação das forças do Exército, Dilma retornou ao Rolls Royce e veio em nossa direção. Desta vez, decidi filmar para garantir mais alguns momentos de emoção. Nossa, o povo começou a cantar “Olê, olê, olê, olá! Dilma! Dilma!”, meu coração acelerou e ela veio. Sim, desta vez eu a vi ainda mais de perto, feliz, sorridente, solar! Ela virou a esquina e seguimos todos em direção à grade oposta, para continuarmos acompanhando nossa presidenta pelo cortejo. Avistei Dilma e Paula, levantei a câmera e comecei a correr e a filmar. Neste momento a possibilidade de tropeçar e cair no chão era enorme e quem me conhece sabe o quanto isto era bem provável, mas eu segui as duas por um momento, correndo, acenando, gritando “DILMA” e muito feliz.

Elas seguiram para o Palácio do Planalto e na mesma hora os militantes começaram a sair daquele cercado que havia sido formado. Alguns foram procurar água, muitos outros, inclusive nós, seguimos para o Planalto, para ouvirmos o discurso de Dilma.  Quando fomos chegando, outra imagem linda: palmeiras, um lindo lago e uma multidão de militantes assistindo Dilma em seu discurso.  Mais uma vez, tudo muito organizado, água potável gelada à vontade para todos beberem, uma área cercada para receber a militância e um telão que mostrava o que acontecia naquele momento.

O cansaço foi batendo, procuramos uma sombra para nos abrigarmos, pois naquele momento o calor nos consumia. Conseguimos chegar perto do cercadinho e começamos a conversar com um dos seguranças da presidência. Conversa vai, conversa vem, ele nos diz que Dilma não tem vida particular e que vive para trabalhar. Segundo ele, quando ela viaja e retorna no Domingo, costuma ficar até cerca de 2h, 3h da manhã despachando. Mais uma vez confirmei o que sempre pensei a respeito: Dilma é trabalhadora, dedicada e comprometida com o governo e com a nação.

Estávamos lá ansiosos por vermos nossa presidenta saindo do Palácio do Planalto mais uma vez em carro aberto – como estávamos colados no cercado, desta vez a veríamos ainda mais de perto. Porém, os planos mudaram na última hora e ela seguiu para o coquetel de recepção no Itamaraty em carro fechado. Ficamos tristes por um instante, estávamos ansiosos por este momento mas decidimos seguir para o Itamaraty.

Pelo caminho, mais encontros com militantes queridos. Muitas fotos para registrar um momento tão inesquecível! A paz, a descontração e a alegria continuava reinando em nossa volta.

Chegamos ao Itamaraty e vimos uma fila de policiais que se formava na nossa frente. Paramos ali, conversamos com mais tantos outros militantes e avistamos alguns poderosos. Alguns não foram bem recebidos, como Kátia Abreu, Sarney e Renan Calheiros, que ao chegarem ao local foram vaiados pelos que ali estavam acompanhando o movimento. Já outros como Patrus Ananias e Ricardo Lewandowski foram festejados. Patrus veio até nós, conversou e fez selfies conosco – eu garanti a minha, claro! Já o presidente do Supremo Lewandowski acenou para nós aos gritos de “Lewandowski, você nos representa!”. Algumas outras autoridades do mundo passaram por ali: suecos, americanos, árabes, mas infelizmente não vimos mais nossa queria presidenta. Quando deram 21h, decidimos voltar para o hotel, vencidos pelo cansaço e pelos pés inchados, além da sede e da fome. Fomos andando e alguns outros militantes se juntaram a nós, desta vez uma mulher que é do Rio Grande do Sul e mora no Mato Grosso, um casal do interior de São Paulo e um mineiro de Piraúba. Viemos felizes, trocamos informações, ideias e impressões acerca do evento. Ao final, o saldo não poderia ser melhor: democracia, respeito, alegria, festa, família, diversidade e paz!

Tive ou não tive o melhor início de ano de todos?

 

Sobre o Autor

Olívia Ghetti Gomes

Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora, pós graduanda em Direito do Trabalho e Direito Previdenciário pela Estácio de Sá, ex-bancária e atualmente servidora do Instituto Federal do Sudeste de Minas, atuando na Reitoria da Instituição.

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